sábado, 2 de abril de 2016

O Amor é importante, mas a admiração é fundamental

Quando se fala de relacionamentos amorosos, à primeira coisa que se pensa é no amor. Perfeito, amor é importante, mas admiração é fundamental. Ela é o alicerce, é a fundação do convívio, sem ela tudo se desfaz, perde o encanto, não há como amar a quem não se admira. 

É a admiração que dá tempero e coloração ao amor, apara arestas, minimiza diferenças e ressalta as qualidades. Sem ela o sentimento desbota, as relações enfraquecem e perdem a tolerância, a boa vontade de ouvir e compreender, tudo fica na ponta da faca, no limite da paciência que já não é mais condescendente e defeitos se agigantam perante as virtudes que se tornam mínimas. 

Difícil entender quando, mesmo com a presença do amor, já não há mais o prazer do estar junto. Tende-se a achar que as diferenças aumentaram tanto que o amor não suporta e fica-se a procura de razões para justificar os abalos, apesar do sentimento dito como central, ainda estar ali, mas não mais ser suficiente para manter a relação. Não se dão conta que é por ela, pela admiração, que estão procurando e não mais encontram, ela saiu e nem um bilhete deixou, como alguém que foi posta de lado e simplesmente se cansou e partiu sem deixar rastro.


A admiração é um sentimento marcante, forte, mas como uma flor delicada requer ser cultivada, pois do contrário murcha e deixa a saudade de seu perfume que nunca mais será sentido e em seu lugar ficará um galho seco onde outrora floresceu.

terça-feira, 29 de março de 2016

Respostas...

Meu lado racional e do equilíbrio diria: quando se pensa que tudo está acabado, que nada mais há por fazer e vem aquela agonia que aperta o peito e sufoca o coração, o melhor é parar, fechar as gavetas do pensamento e ir dar uma caminhada pela trilha do divagar e esperar, dar tempo para que o tempo responda e resolva o que não somos capazes.

Mas o inquieto e sempre em ebulição responderia ao da razão: A insana tentativa de tudo querer solucionar sem esperar pelo prazo necessário, que cada ação requer e que é único para cada uma delas, cria aflições não queridas, porém amadas e necessárias. Pois contraditoriamente aos anseios do bem estar é impossível não vivê-las, dado que a vida clama pela impaciência que a ansiedade lhe fornece como que um combustível para mantê-la, além de viva, eletrizada perante o simples fato de viver um dia após o outro, o que é totalmente imprevisível e é justamente aí que mora o incomparável e prazeroso mistério do viver e sobreviver as fases e faces de cada dia que se apresenta.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Os invisíveis que só aparecem quando desaparecem

Podem passar incógnitos por uma vida inteira, como sombras a vagar, feito fantasmas que estão por perto, mas não são vistos. Verdadeiros espectros, servos sem rosto, preparados para satisfazer vontades com devoção, sem questionar e até com certo prazer, por aqueles que não os notam e só têm exigências a fazer, sem cerimônia, sem apego, sem sentimento. O único interesse é ser atendido

Até que chega o dia em que os desejos deixam de ser saciados pelo simples fato da ausência de quem sempre esteve a postos para satisfazê-los. Nesse exato momento, um milagre ocorre: o fantasma se materializa, ganha corpo, toma forma e passa a ser notado justamente pela falta que faz. Foi preciso desaparecer para ser visto, para receber o valor que sempre teve, mas que antes era sonegado.

A falta, por vezes, é necessária para que se compreenda o tamanho da falta que se faz. Quando sempre esteve presente e não recebia valor algum; simplesmente não era visto por atender a tudo e a todos antes mesmo que precisassem pedir.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Pessoas

Um universo vasto de emoções que vive a busca do sentido do existir.

Semelhantes,  diferentes e incomparáveis .

Capazes de despertar sentimentos tênues travestidos de eternos.

Vivem na busca e podem morrem sem saber se conseguiram alcançar seu ansiado querer, pelo simples fato de não saberem realmente o que querem.


Pessoas se criam na expectativa do alcançar e se desfazem na ansiedade da angustia da espera que não lhes permite saber se conseguiram.


Seres da mesma espécie permeados por emoções antagônicas ou parecidas, porém únicas.

Não há a certa ou a errada, e sim almas libertas em caminhos múltiplos em busca de um destino que por vezes se cruzam, por outras nem perto passam.




terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O ano novo!!!



 - Texto publicado no jornal  - Posto Seis de dezembro/2015





O ano novo!!!

O frenesi dos últimos dias de um ano é tamanho que parece que se trata do fim de uma era. Como se nas badaladas da meia noite do dia trinta e um de dezembro o mundo fosse simplesmente acabar levando com ele tudo de ruim e ao primeiro minuto do dia primeiro de janeiro surgisse um novo tempo perfeito em de acordo com as expectativas de todos.

O que será que faz as pessoas sentirem que tudo pode ser diferente simplesmente pelo fato do fim de um ano e início de outro? Será que existe a idéia de que possa haver uma combinação cósmica dos astros que fará o mundo girar diferente liberando alguma substância capaz de mudar o que não podem fazer por si só? Pode ser. Mas o que fica esquecido, ou talvez não lembrado, é que a cada dia nasce uma nova oportunidade de fazer acontecer, sem que seja preciso esperar o primeiro de janeiro.

O ano novo tão comemorado e saudado não acabará com as dificuldades nem tão pouco trará o milagre das soluções. As respostas não virão com a mudança de calendário, elas estão dentro e não fora e não será a chegada de um novo ano que fará com que sejam encontradas.
O primeiro de janeiro é só mais uma etapa da jornada que se inicia a cada novo amanhecer.
Quem tem que esperar o início de cada ano para começar a viver corre o risco de permanecer no eterno e angustiante aguardo, por que até resolver o que fazer o ano já ficou velho e terá que esperar pelo próximo.

Desejo de Ano Novo: Viver cada minuto como se o último ele fosse, porém com a intensidade da durabilidade eterna.



domingo, 16 de agosto de 2015

Depois do poder

Ter poder é algo almejado por muitos, através dele é possível ter o direito de agir, de decidir, de mandar, de ter “Autoridade”.

O poder pode ser confundido como meio para alcançar a plenitude da satisfação pessoal de se sentir importante dentro de toda capacidade de exercer a soberania do comandar.

O poder desmedido gera a empáfia, sentimento dos que creem ser inatingíveis e em nome da liderança, que pensam possuir, passam por cima de tudo e todos que julgarem estar fora de seus padrões estabelecidos.

O senhor de tal faculdade tem orgulho de sua posição e entende que jamais perderá seu glorioso posto, sente-se onipotente, absoluto com mandos irrestritos e eternos.

Mas e quando o poder acaba?  O que fazer quando os salões por onde bailam a superioridade apagam as luzes, fecham as cortinas e não há mais plateia? Quando o amo não mais tem seus súditos para sobre eles destilar todo seu soberbo poder e esperar fiel e absoluta obediência sem direito a contestações? O mundo do poder é efêmero, frágil, se desfaz sem aviso prévio causando a abstinência de governar a quem o possuiu e o confundiu com uma característica a mais em seu DNA, julgando-se um ser especial.

Ser destituído do poder para quem o tem como amuleto e ferramenta de apoio para viver seu estado de “superioridade”, é como que ser arrancado da própria pele e jogado em um mundo, sem proteção, que ele não conhece e tão pouco esse mesmo mundo o reconhece como um ser igual.

E ai um dia se acorda e não há ninguém para mandar, nada para determinar, nem uma ordem a ser decidida, e ai? Podem-se observar seres que sucumbem à própria solidão por simplesmente não suportarem a vida sem a força que achava que o dito poder lhe dava, ou os que se olham no espelho e veem um ser que quer viver e precisa de um espaço, o qual ele não construiu porque estava inebriado pela nuvem passageira do poder que agora se foi e então se depara com a necessidade urgente de se sentir parte integrante do mundo que ele se achava superior e agora enxerga como sendo seu abrigo e alívio para acalentar suas carências e o agasalhar do isolamento que a falta do poder lhe deixou como herança. Tal busca pode levá-lo a ter atitudes inadmissíveis em seus tempos de desmandos, como a humildade, tolerância e outras características necessárias aos pobres mortais que visam pelo bem viver e que eram meramente desconhecidas até então pelo ex- todo poderoso.

O poder vicia e domina a quem o detém como arma de se fazer respeitar por pura falta de capacidade de exercer a liderança.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Promessa de adulto

A idade avança, responsabilidades se multiplicam, chegam as marcas inevitáveis do tempo, que insiste em não dar trégua, dificultando o reconhecimento do rosto refletido no espelho, que encara e impõe sua imagem certeira sem margem a dúvidas a quem se refere.  

E aonde é que está a bendita da maturidade que galardoaria a dissolução do frescor da juventude e o adeus a singeleza da infância? E a segurança, as certezas, a sabedoria prometida que chegaria junto com a contagem dos anos? Cadê o adulto ciente de todas as coisas?

Esse tal ser amadurecido é mais incerto e inseguro do que a criança que um dia foi e não tinha a obrigação de ter que fazer as escolhas certas. Possuía somente seus sonhos, os quais pareciam perfeitamente viáveis de serem concretizados, por mais longínquos que estivessem e ser adulto era um deles. Imaginava em sua cabeça pequena de criança, que alojava um mundo, que ser gente grande era a melhor coisa a acontecer. Pois só assim poderia realizar todas as suas aspirações e ser capaz de resolver tudo sem pedir nada a ninguém. Seria possível viver a plenitude daquele mundo latente em seus enormes pensamentos de gente pequena com imaginações que transbordavam uma vida.

A criança ficou nos anos deixados nas gavetas do tempo, e hoje transvestido de adulto, vestimenta que a vida lhe atribui, continua na busca pelas escolhas certas e a aguardar a maturidade prometida e enquanto ela não chega, permanece a fazer uso das convicções, efêmeras, porém necessárias a vida de maior de idade.

Ai... pobre dele que um dia teve a ilusão de que ao se tornar grande tudo se resolveria. Jamais poderia conceber, quando criança, que todas as doces incertezas da puerícia se tornariam as melhores lembranças e quem sabe com elas desejaria ficar no lugar da ilusão que adulto se tornaria.