Cheguei para meu primeiro encontro com o grupo de escrita. Faltava meia hora. Desci do táxi e fiquei na calçada, em frente ao local do evento, à espera de que abrisse.
Andei de um lado para o outro. Peguei o celular. Guardei-o.
- Vinte minutos ainda…
Olhei para o prédio. Meu olhar subiu e varreu a rua.
- Nossa, quantos apartamentos.
Não tinha me dado conta de que estavam ali. Quem será que vive neles? O que estarão fazendo? Já acordaram? Acho que não. Ninguém nas janelas.
É tão curioso imaginar a vida das pessoas que não vemos, mas sabemos que existem.
A vida acontece por trás daquelas cortinas, independentemente do meu olhar.
O mundo gira e o sol nasce todas as manhãs, mesmo que não seja visto nem sentido.