sexta-feira, 12 de junho de 2026

Lisboa

 Lisboa da luminosidade que contagia. Lisboa dos verões intensos, dos dias longos e dos invernos úmidos, de ventos cortantes.


Lisboa dos telhados que encantam, das portas coloridas, das memórias que me vêm dos livros que lia quando criança, sem saber que um dia pisaria neste solo, viveria nele e aqui amaria.


Lisboa que a todos recebe com suas histórias, sua gente, seus sabores, suas cores, seus jardins, suas paisagens e seus recantos. A cada dia descobrimos um lugar mais encantador que o outro. E quanto mais tempo fico por cá, mais sei que devo ficar.


Cidade pequena de coração gigante. E quanto mais caminhos percorro, mais sei que ainda preciso percorrer.


Eu vim do outro lado do oceano para descobrir que aqui também havia um lugar meu. Um lugar onde gosto de estar, onde quero viver.


Lisboa, que aprendi e me permiti chamar de minha. Onde fiz amigos a quem hoje chamo de família escolhida.


Lisboa que me abraçou forte, calorosa e gentil. Que me ensinou que posso ser de todos os lugares. Que me deu a liberdade de entender que posso ser de onde eu quiser, de onde me faz bem.

Posso ser de onde posso ser eu. Ou todos os meus eus.

Sem culpa. Sem medo.

Só ser, sem ter que ser.

domingo, 24 de maio de 2026

Tempo

 Um dia escutei meu amigo José Sardinha falar: “O tempo não existe, mas ele passa.” Aquilo mexeu tanto comigo, me fez parar e pensar no tempo que não vejo, mas que sinto, ou que não sinto, mas vejo. 

Não sei a ordem, visto que é tão subjetivo e evidente ao mesmo tempo, que não dá para explicar o que vejo ou o que sinto, mas é fato que existe e persiste. 

Há coisas na vida que não precisam ser explicadas para justificar a existência e talvez o tempo, o bendito tempo seja uma delas . 

sábado, 16 de maio de 2026

 A vida acontece nos intervalos, entre o respiro e o silêncio, nas brechas do caminhar e do chegar. 

Assim são as palavras quando se encontram e transformam sentimentos, memórias, lembranças,  em histórias a serem contadas ou não, mas sentidas com certeza. Porque é no coração que elas respiram, sobrevivem e criam as imagens que nos atravessam.

 Sou adepta dos porquês que não respondem

Das perguntas sem respostas

Das respostas sem perguntas 

Das atitudes sem definição 

Das buscas sem causas

Dos olhares perdidos em prol do nada que tudo encontram 

Da falta de programação que tudo realiza 

Do saber escutar mesmo quando se tem um mundo para gritar

Da lágrima que corre sem motivo dito

Do abraço que diz

Do olhar que fala


Da vida que vive sem ter explicar 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

 Gosto do silêncio que envolve o que não há como ser dito, mas ainda assim insiste em estar presente.

E nos intervalos, no que parece não existir, nos quase, alguma coisa pulsa.

Os vazios se preenchem, aos poucos, como quem vai tateando o escuro.

E, de repente, o que era ausência se organiza, ganha corpo, se espalha, e chama e agrega.

As palavras guardadas, escondidas, sufocadas, aproximam-se daquelas que passam distraídas, sem querer se deixar notar.

E é nesse encontro, quase imperceptível, que algo começa.

Porque nem tudo precisa ser dito para existir, mas tudo que existe, de algum modo, pede voz.

E é entre esse silêncio e essa voz, que a gente começa.

 E a roda se abre.

Ela chega, pede licença, senta.


Cruza as letras delicadamente

e distribui poesia, contos, histórias, conversas.


Lança pequenos começos ao vento

para quem quiser completar.


Observa os que chegam, os que vão,

quem fica, quem fala, quem nada diz, 

e vai tecendo, à sua volta,

a teia da união.


É democrática.

Não há padrões pré-estabelecidos.

Cada um a encontra à sua maneira.

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Palavra

 

A palavra encontra quem a quer escutar, pode se fazer presente mesmo quando não é dita.

O seu brilho está no encontro, no sentar-se em volta do partilhar.

Curioso perceber que, em um mundo que cada vez mais descarta-se a presença, a palavra se faz ainda mais necessária e aclamada.

A palavra tem o poder de salvar, de libertar a alma. Por meio dela, podemos chegar onde nos permitirmos.

Ela rasga, entra, inebria, encharca a alma e encanta a vida.