Essa noite tive um sonho estranho.
Havia em mim uma grande fome de palavras. Eu as pegava uma a uma: mastigava, engolia. Depois outra. E outra. E outra. Mas a fome não cessava, ao contrário, crescia.
Acordei sobressaltada. A garganta apertava. Sentia-me engasgada. Tossi. Tossi. Vomitei. De uma só vez, expeli todas as palavras engolidas. Esvaziei-me do que havia sido retido, do que não foi dito.
E, vazia, voltei a dormir.
Sem fome.
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