segunda-feira, 2 de março de 2026

FOME

 Essa noite tive um sonho estranho.

Havia em mim uma grande fome de palavras. Eu as pegava uma a uma: mastigava, engolia. Depois outra. E outra. E outra. Mas a fome não cessava, ao contrário, crescia.


Acordei sobressaltada. A garganta apertava. Sentia-me engasgada. Tossi. Tossi. Vomitei. De uma só vez, expeli todas as palavras engolidas. Esvaziei-me do que havia sido retido, do que não foi dito.


E, vazia, voltei a dormir.

Sem fome.


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