O relógio já ia longe, embora o dia ainda não estivesse de pé. O céu era um acolchoado de algodão, com buracos por onde uma luminosidade brigava por escapar. E eu, na rua adormecida e engolida pela névoa, seguia o caminho sem ter para onde.
“O dia amanheceu antes de acordar”, pensei.
Os passantes, alheios a mim, circulavam sem pressa, sem interesse pelo que os rodeava.
Sentei em um banco e fiquei a observar. Caras fechadas, sorrisos soltos, conversas animadas, discussões — a vida desfilava diante de meus olhos.
A noite chegou antes de o dia se apresentar. E lá estava eu, a observar para fora, no escape de mim.
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