domingo, 18 de agosto de 2024

Por que escrevo?

Não sei, mas escrevo.

Escrevo na calmaria da minha sala, no caos da bagunça da casa por arrumar,

no meio do almoço por fazer,

Na alegria do acordar e na preguiça do dormir,

Não sei por que escrevo

Talvez por não poder não escrever

A escrita me toma e eu a ela

Me treme as pernas, formiga-me a língua, arrepia-me a nuca, dói-me a cabeça, aperta-me o coração, embaça meus olhos, transborda-me a alma, -é paixão, amor, raiva, tristeza ,alegria…-I n q u i e t a ç ã o-

Não é minha a posse da atitude, sou serva das linhas que me escorrem pelos dedos e preenchem as páginas que voam na busca de serem lidas

A palavra se impõe, se exibe, se doa

Por que escrevo?

Ainda não sei, mas sei que não posso deixar de escrever

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Minha casa

 Paro , olho em volta e nada vejo. 

Volto ao início.  Os galhos estavam secos, o jardim coberto de folhas . As árvores murchas, os frutos minguaram. “Onde será que foi parar meu pé de abacate? Meu balanço?”

A casa de cor esmaecida convida-me a entrar, no canto da sala uma cadeira de palha e uma boneca sem braço, móveis de pés palito se impõem ao centro. Tudo parece tão menor , “será a casa certa?” Sigo pelo quarto, vazio, soturno. Um pássaro sobrevoa- me a cabeça, assustei-me . Volto ao quintal. A grama cobriu metade do muro, não se via mais a toca das saúvas, será que ainda estavam lá?

Na rua o asfalto tomou conta dos paralelepípedos. Um prédio de vinte andares ocupou a vila rosa em frente .

Minha imagem refletida em um caco de espelho jogado no jardim conversa comigo, “o que veio buscar aqui?” “meu ponto de partida”, falei. O caco de espelho encara-me e pergunta , “encontrou?” 

Encostei no espaço onde outrora havia um portão, contemplei meu entorno e parti. Não estava ali o que precisava encontrar. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

O que fazer para o almoço?

 São sete e meia da manhã, - tomo meu café-, puro, quente, amargo

Em algum lugar ainda é madrugada, as pessoas dormem e eu já a pensar no que fazer para o almoço,

Observo a vida passar pela janela, meu café esfria a espera de ser tomado,

Em algum lugar ainda é madrugada, - vejo o dia enquanto alguém ainda vê as estrelas, 

Tudo me parece ao avesso, no mesmo mundo, um anda no teto outro no chão, 

O vento bate a janela, ouço pessoas, pássaros, buzinas dos carros, crianças puxadas pelas mães que gritam e ninguém me nota, sigo no café já frio, a borra no fundo da xicara traz-me gosto de passado, 

Meio dia e ainda estou sentada no mesmo lugar, -já amanheceu onde era madrugada- o dia vive rápido e eu ainda a pensar o que fazer para o almoço,

Não tenho fome, queria outro café, - o pó acabou – 

O cachorro do meu vizinho latiu, reconheceu o cheiro do dono que abriu a porta, -mas que horas devem ser?-

O céu escureceu, ainda estou sentada no mesmo lugar, - já não escuto mais os pássaros, 

A madrugada está aqui e eu ainda não sei o que fazer para o almoço...

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Unhas vermelhas

A ousadia lhe invadiu, sucumbiu ao desejo de transgredir.

Ultrapassou as barreiras da decência estabelecida, das prisões sem grades, das amarras impostas, 

Sentiu o desejo arder-lhe pelas pernas até encontrar o alivio nas pontas dos dedos trêmulos de rubras terminações,

A boca seca seguiu à caça dos famintos lábios que lhe observavam, ávidos de prazer.

E na insaciável busca do deleito frenético se entregou,

Corpos suados, jogados, adormeceram ao apagar do sol e no nascer da lua que o quarto iluminava pela discreta fresta da janela... 

quarta-feira, 24 de julho de 2024

 Acordei com gosto de ontem, com desejo do amanhã e com a ânsia de viver o que o hoje me trará. Não sei se de bom ou de ruim, mas não importa, vale mais a surpresa do que o não viver . 

Sei que de fatos se faz a vida que de eterna nada tem , mas e daí ? 

Sou serva do destino que a mim reserva algo não sabido.


O desconhecido se faz grande na expectativa do descobrimento, traz a esperança de ser melhor, mas com risco de apagar a presença do agora que está na altura do meu viver.


Ando e volto a procura do que não sei, mas pouco importa. Quero mesmo é seguir na busca,

 mais vale o caminho que a chegada!  

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Palavra

 A palavra fomenta os encontros, uni, transforma. 

Seja ela falada, sentida, lida, escrita, cantada, ou até mesmo no silêncio do olhar.

A palavra é uma entidade

 tem alma,

Tanto abraça quanto bate. 

Transforma,

Pode fazer a guerra e trazer a paz,

Tem o poder de falar mesmo que não dita, 

E é em nome dela que estamos aqui!

Viva a palavra 🙌


quinta-feira, 9 de maio de 2024

Tempo

 Tempo que vai, que vem, incontrolável, senhor absoluto - não pergunta-só acontece na sua própria ordem e razão, odioso tempo que me protege do que me consumiria se ele lá não estivesse.