terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sorte do acaso


Coincidência? Sorte?

Quem sabe até existam, mas ditas em separado não fazem o menor sentido, pelo menos para mim. É claro que você pode e deve achar o que quiser, mas eu não. Prefiro apostar na Sorte do Acaso... Aquela coisa mágica, que, por exemplo, te coloca no lugar certo, na hora certa e te faz dizer a coisa certa para a pessoa certa.

Talvez sejam os astros que confabulam em prol do ato, ou, o que tendo a crer que realmente seja, uma conjugação das energias que se harmonizaram e fazem acontecer.

O fato é que nada acontece simplesmente por coincidência ou sorte, ou pelo menos exclusivamente em nome destas duas facetas.

Tudo tem a sua razão de ser, por mais incompreensível que possa parecer por um primeiro momento ou até por todo o tempo. Pode ser que nunca venhas, a saber, ou, entender o “porque” de um determinado acontecimento. Talvez a elucidação esteja justamente na falta de nitidez, devendo a tão almejada explicação ficar na obscuridade, para preservar o feito.
Que nada acontece sem sua razão de ser eu já sei, mas nem tudo tem uma razão evidente, para se fazer ser.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Resgate de emoções


Pode-se dizer ser um delírio, mas com tamanho apelo do mais desconhecido e profundo inconsciente que querer trazer para o presente às sensações vividas no passado parece ser possível é quase palpável ao ponto de por vezes acreditarmos que basta um pouco mais de concentração para conseguir tal feito. E na ânsia desta busca insana deixa-se de viver e sentir os sentimentos do aqui e agora, que rapidamente se transformarão em passado entrando em nossa louca lista de procura.

Chego a pensar, mas não me atrevo a afirmar, que tal apego seria uma forma de fuga das emoções do hoje, devido à falta de conhecimento do teor das mesmas, sendo mais garantido se apegar as já conhecidas, as já vividas. Porém, esquece-se, ou desconsidera-se que o sentir se transforma com as modificações advindas do passar das paginas do tempo.

O tempo é perene, mas as percepções do que se vive nele são pessoais e não admitem repasse nem tão pouco podem ser armazenadas para serem experimentadas posteriormente. Sentiu, sentiu, não sentiu adeus.

O sol é único, com certeza, mas nunca é visto da mesma forma, cada dia é um dia, se perderes um amanhecer, não terás como vivê-lo novamente.

sábado, 28 de setembro de 2013

A obrigação de ter que gostar de tudo que se faz

Existe uma atmosfera, irritante, que quer obrigar a todos a gostarem de tudo que fazem.

Causa grande espanto e até mesmo pode chocar quando alguém se declara insatisfeito por estar fazendo alguma coisa que até poderia abandonar, mas não o faz por algum tipo de necessidade ou beneficio ou as duas coisas juntas. Mas o fato é que querem empurrar pela goela abaixo do indivíduo o comprometimento de estar inteiramente satisfeito com tudo que faz. Acho que esta síndrome está diretamente ligada à necessidade de ter que estampar aos quatros ventos a tal da felicidade plena e absoluta, sem direito a nenhum desnível de humor.
Mas aqui entre nós, só entre nós: nunca teve aquele dia, por exemplo, que desejou qualquer outra coisa a ter que ir trabalhar por mais que ame sua profissão? E a academia? Já não lhe ocorreu que poderia ser muito mais agradável estar seja lá aonde do que em cima daquela esteira maldita, mesmo que sua terrível e cruel consciência não lhe permita desistir dela? Ou qualquer outra coisa que precisou fazer, por qualquer que tenha sido o motivo, que já teve vontade de correr no sentido contrário, mas simplesmente não o fez e ficou ali para realizar a tarefa indesejada, mas que lhe trás algum benéfico e por isso não desistiu?

Aponte-me um, pelos menos um SER sequer que nunca tenha enfrentado as perguntas internas do fazer ou não fazer algo, lutando com os sentimentos de não gostar com o de ter que fazer e que não tenha optado pelo segundo? 
Por que é tão espantoso quando se admite: - Não eu não gosto de fazer tal coisa, mas faço. Fico a pensar o que será que assusta mais, se é a “insanidade” de se fazer algo que não se quer ou se é a coragem de admitir tal feito que esta atrelada com a consciência de que a vida não tem é nada de perfeito.
 

sábado, 21 de setembro de 2013

O passado não volta...


“-É claro que não!” Diria se visse tal tema estampado como titulo de um texto ou em qualquer outro lugar. Mas se parasse e analisasse pausadamente a busca constante pelas sensações um dia vividas e perdidas no passado, admitiria não ser tal título tão clichê assim.

Por várias e inúmeras vezes se quer, insanamente, resgatar emoções sentidas no passado e com isso perde-se a oportunidade de viver as que estão a se apresentar no aqui e agora, no presente que rapidamente será também passado, sem nem ao menos serem notadas e desfrutadas.

A necessidade de reviver o que um dia foi é tamanha que o prejuízo causado a alma e a própria carne de sentirem o que seria direito de seu prazer sequer é notado.

“-Que pena...” Ela lamenta depois de se dar conta e quando nada mais haverá por fazer. Pois o presente já será passado, o futuro não terá mais tempo de um dia se tornar presente e o passado só lhe servirá como consciência de todo tempo que ficou perdido em uma esfera atemporal impossível de ser retomada.

domingo, 15 de setembro de 2013

E o amanhã? Quando chegará?


Estava eu, dirigindo tranquilamente tendo a meu lado um menino de treze anos, quando de repente meu parceiro de viagem dispara a seguinte afirmativa: “- O amanhã nunca chega, não existe. O que existe é o presente.” Fiquei surpreendida com aquela declaração que veio, aparentemente, do nada, pois nossa conversa não tinha nenhuma relação com o assunto. Fiquei olhando para aquele ser tão puro e jovem, ao qual eu julgava ainda tão criança e me emocionei com sua sensibilidade e lhe perguntei o porquê de sua definição tão categórica e ele complementou: “- Quando o amanhã chega já é presente. A gente nunca vai ver o amanhã, estaremos sempre no presente.” Fiquei de fato sem palavras mediante a simplicidade em definir algo tão claro, mas que passa pela sombra da utopia que o mundo vai embutindo nas mentes humanas à medida que amadurecem. E sem ter mais o que questionar, concordei com ele.
Seguimos nosso trajeto conversando sobre várias outras coisas e a questão amanhã – presente se dissipou no caminho, mas não na minha mente e desde então estou a pensar sobre o assunto e principalmente pela maneira tão simples e direta que foi colocada pela aquela criatura que começa a descobrir o mundo e suas entranhas.
Olho-me no espelho e me pergunto em que lugar está o amanhã? A que horas ele chega e a que tempo pertence? E o que devo fazer com todos aqueles projetos que estão sendo trabalhados e aperfeiçoados milimetricamente em busca de ficarem perfeitos para serem vividos no amanhã? Um amanhã que nem sei onde fica e quando chegará. E com meu lado emocional embriago de todo meu idealismo chego à seguinte conclusão: - vou rasgar meus projetos e dar o braço ao meu sábio mestre de treze anos e viver o hoje, o aqui e agora e deixar o tal amanhã para que o futuro, aquele cara incerto que adora aquele outro, o quando, se entenderem e tratarem eles de esperarem pela incerteza do imponderável. Mas volto ao espelho e olho-me mais profundamente com meu lado razão que aos poucos foi crescendo a medida que o idealista foi sendo engolido pela dita “maturidade” e me pergunto: -Ah.. vais fazer isso mesmo? Tens coragem de enfrentar todos os teus porquês que vivem a te cobrar o que farás no tal amanhã?...
Aí me da uma vontade danada de ter meus treze anos de volta e com ele toda minha dispensabilidade de precisar insanamente que este imprevisível amanhã chegue com as respostas que não consegui obter no meu sabido hoje.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pela Vida


Ando pelas ruas e me pego a observar os transeuntes que vão e que vem. Alguns com a pressa da busca, outros com a calma do tempo por preencher, cada um com sua história, dúvidas e anseios. E sempre fico olhando para todos eles, como uma mera espectadora, querendo, se possível fosse vê-los por dentro, tentando ler o “livro” da vida de cada um, entrar no universo único que cada ser é dono e senhor absoluto e que ninguém pode adentrar. E no meio de minha procura insana coloco-me a parte do mundo como se a ele não pertencesse e pudesse simplesmente assisti-lo e decifrar os enigmas que passam diante de meus olhos.

São vários mundos misturados em um só, que não se juntam nem se separam. São vidas que se cruzam sem que nunca tenha, sequer, se olhado e passam lado a lado sem comoção, sem apreço, sem nem um olhar de esguelha e com uma frieza capaz de congelar a própria insensibilidade.

Seres aflitos perdidos no meio da multidão que cumprem sua trilha reta e rígida e com seus antolhos se contradizem com a necessidade urgente de exterminar a solidão sufocante e crescente que contamina os que seguem sem olhar em torno.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Generosidade


A generosidade não é uma qualidade que se pode adquirir ao longo da vida, ou se tem ou não. É como um sinal que vem gravado no coração de quem a tem.

A generosidade é uma doçura no viver, é um desprendimento de necessitar provar que se está certo, mesmo quando se está, para dar lugar a um bem maior. É um viver desgarrado dos conceitos pré-estabelecidos de certo e errado.

Generosidade dissipa conflitos e acalenta a alma e o coração de quem tem a dádiva de possuir esse sinal de nascença.

A generosidade amplia os horizontes porque vê além do alcance dos olhos. É um doar sem espera.  

A generosidade supera raivas, ressentimentos, angustias, pré-conceitos, atitudes e fatos, para buscar o mais apropriado para atingir a satisfação de quem carece ser atendido.

Generosidade é sinônimo de doação sem necessidade de receber agradecimento.