segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Des-serviço dos serviços


Tecnologia cada vez mais evoluída, todos os dias uma brilhante descoberta da ciência em favor da humanidade, internet aproximando os povos, enfim, a cada clique um mundo de facilidades se apresenta. Até aqui tudo ok, certo? Afinal quem é contra os meios para auxiliar e valorizar o dia a dia dos seres? Você é? Acredito que não.  Tudo isso é simplesmente maravilhoso com certeza, mas em paralelo corre um módulo do projeto que está danificado e ninguém vê ou faz de conta que não, apesar de atingir a todos, ou pelo menos a grande maioria, ou seja, os “pobres mortais” que têm que pagar seus impostos, que por sinal não são poucos, e cumprir toda a lista de deveres para estar à altura de viver na tão exigente sociedade. Muitos reclamam, mas raros são os que realmente fazem algo em prol de ter seu direito atendido por um serviço que não é de graça, muito pelo contrario, que se paga e muito bem para no final não recebê-lo ou tê-lo como se estivesse auferindo um favor.

Em todos os setores que é preciso se fazer uso de um serviço ministrado por uma pessoa, a qual é treinada para tanto, ou pelo menos deveria ser, na maioria esmagadora das vezes o que temos é o desserviço, que pode ir de atendentes despreparados em relação às informações sobre o produto que representam a forma desrespeitosa de falta no trato com aquele que deveria ser o foco do negócio, o cliente. E não é incomum, que a pessoa que vai a busca de um determinado serviço, ouvir “n” explicações do mesmo prestador, variando com o número de vezes que for atendido, ainda que para um mesmo questionamento.

Os processos de facilitação progridem tão rapidamente para atender as necessidades do mundo, que quase podemos ter a resposta antes que a pergunta se apresente. Mas e quanto ao preparo do interlocutor, do responsável por fazer esse universo de comodidades, cada vez mais atrativas, chegar adequadamente ao cliente? Quem está cuidando disso? Parece que essa “pasta” corre solta sem mestre responsável por ela. Pois a relação é quase que diretamente proporcional: quanto mais serviços disponíveis no cardápio, menos pessoas capacitadas para servi-los. E se já não fosse isso um extremo negativo da cadeia de ofertas de serviços, ainda há outro a apontar, só que dessa vez em proporcionalidade inversa: quanto maior for a necessidade pelo serviço, demonstrada pelo requerente, menor é o atendimento prestado a ele.

Será que tal contexto é uma demanda velada do mundo para a extinção das relações interpessoais da prestação de serviços, passando para era onde só existirão máquinas capazes de atender ao cliente no que ele necessita? Será que assim teremos a tão almejada qualificação necessária para oferta de serviços, incluindo conhecimento técnico, educação e respeito entre consumidor e fornecedor?

Decepcionante divisar a troca de seres humanos por máquinas como sendo a única solução para resolver o problema que vivemos de desserviço.

Será a degradação das relações interpessoais uma questão somente do âmbito da prestação de serviços? Ou um fator crescente de falta de tolerância entre os seres de uma forma geral? Carência de conceitos básicos, quase que renegados ao tempo passado, de pedidos de desculpas, cumprimentos de chegada e saída, sentimentos de compaixão, respeito e muitos outros cada vez mais escassos?

A quem culpar? Sim, porque para toda falha levanta-se de imediato o dedo da culpa em conjunto com o da responsabilidade para alguém que terá que pagar essa fatura. Seria fácil, ou talvez mais prático se eleger um único réu para tal cargo e a ele crucificá-lo e dele exigir a solução, ok. Mas onde ele está e quem é ele? Talvez uma das respostas esteja no primeiro espelho para qual devemos olhar e procurar no fundo dos olhos que encontraremos refletidos do outro lado e tentar achar os conceitos básicos da vida entre os seres, os quais se esvaem a cada dia tornando a convivência humana mais dura, intolerante e desrespeitosa, não só em referencia aos serviços, mas na vida como um todo.


O mundo está prático, eficiente em oferecer soluções, rico tecnologicamente e cientificamente. Porém está carente de afeto, de benevolência, de bondade entre os seres que o habitam. Talvez tenhamos que rasgar todas as teses, projetos ultra desenvolvidos para o tão aclamando progresso, que chegou com certeza, e voltar a vida manual sem todas as facilidades do mundo atual e começar tudo de novo outra vez e tentar resgatar a humanidade das relações que se perdeu no meio do caminho. Quem sabe seja possível reconstruir um mundo que tenha um BOM SERVIÇO de viver. 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Descompassos da idade




Quando se é jovem não se tem maturidade para desfruta-la em todas as suas possibilidades e quando se tem maturidade não se tem juventude para aproveitá-la com vigor que ela merece!



















http://www.biatannuri.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Presa nas asas prontas para voar


Pronta para levantar voo e alcançar o infinito das possibilidades, desbravar o desconhecido do almejado e ao mesmo tempo presa, petrificada sem um passo conseguir dar como um carro na linha de largada que acelera ao máximo, mas não arranca.

Momento de pura sabedoria do que se quer, mas de total falta de capacidade de iniciar o caminho.

Bate as assas, voa distancias incomensuráveis, alcança, supera, mas não sai do lugar, a imaginação transgride não se abate, mas os dedos não alcançam o que ela está a gritar e a lhe dizer, por isso não conseguem dedilhar a energia que por eles correm, mas não transbordam.


Fases de pura separação entre corpo e mente, embora um dite para o outro o que pretende e o um entenda perfeitamente o que o outro quer, mas não consegue retratar.


Fazer o que com isso? Com a certeza do alvo a atingir e a absoluta ausência de capacidade de materializar o anseio? Passar por cima? Esquecer? Engolir o tormento que espreme a garganta e arde o peito? Ai! Grita ela no meio da aflição do querer e a incapacidade de concretizar.



Difícil momento, que se torna mais complexo pela incapacidade de enxergar que toda essa ebulição pode ser o antecessor de um grande e satisfatório feito que está por ser descoberto.



Mas quem vai contar a ela?


Bia Tannuri

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O brilho do caos

Há momentos em que tudo ao redor desaparece e fica sem sentido.

Ocasiões em que se quer a plenitude de uma única vez, mas nada se alcança.

Fases de buscas eternas com a urgência do agora. E quanto mais se caça, menos se encontra e com isso cresce a angustia que aperta o peito sufocando a garganta e esmagando o coração que bate com a pressa dos desesperados por desvendar o que nem sabem que pretendem, mas não podem parar de cobiçar, pois apesar de não conhecerem o que almejam, sabem que necessitam, só desconhecem o que.

O céu acende e apaga, repetidas vezes, o mundo gira, a vida segue e milhares de pensamentos invadem a mente trazendo com eles certezas absolutas que se dissipam com a mesma rapidez que vieram e as dúvidas permanecem e o garimpo continua.

No meio da peregrinação pela procura da totalidade insana, como forma indispensável à sobrevivência, a escassez de possibilidades se confunde com abundância das mesmas que se apresentam de forma conturbada, embaralhadas umas nas outras fazendo com que pareçam inexistentes.

A escuridão se faz, o ar acaba e nada mais há por fazer. As soluções tornam-se imponderáveis e desaparecem no horizonte do olhar perdido.

É o cacos do final dos ciclos, tão temido, porém necessário ao início de outros que surgem embrionários, frágeis, mas repletos de caminhos a serem descobertos.

Dos destroços podem surgir respostas há tempos campeadas e não achadas na perfeição da organização.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A arte de fazer política

E o que é a política?

Ao ouvir a palavra política a primeira coisa que vem à cabeça são os políticos em busca de um lugar no tão cobiçado poder. Mas política é muito mais que isso, não se resume a uma guerra, muitas vezes insana, pelo trono de onde poderão ser ditadas as ordens a serem literalmente cumpridas. Política, a bem feita, é uma arte. Fazer política não é para qualquer um, embora seja essencial para o convívio em sociedade. Mas não basta querer, tem saber, tem que ser capaz.

A política faz parte da vida desde seu início, bastou nascer e ela se apresenta.  Está presente em casa, na escola, no bar da esquina, em todos os lugares. Para viver em coletividade tem que se fazer uso dela.

A política é uma arte e como tal tem que se ter sensibilidade para desempenhá-la bem. E nada tem a ver com a “síndrome do pequeno poder”, que é a doença que o poder desperta nas mentes de baixa autoestima incapazes de se fazerem respeitar por suas próprias ideias e se aproveitam das oportunidades, por menores que sejam, para colocar para fora suas frustrações através do mando incomensurável, sem porquês, sem regras e sem limites.

Faz parte das prerrogativas da política proporcionar o melhor convívio, de criar benefícios em função de um todo. E a arte está na capacidade de identificar os caminhos a serem seguidos em prol de atingir o cumprimento das necessidades de quem em sociedade vive.




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A espera

Como é difícil, dolorida, amarga e infinita a espera.

Esperar pode ser um exercício de paciência e superação dos limites da tolerância.
Nem sempre o tempo cumpre o tempo determinado por quem tem que por ele esperar.
E como saber identificar o limiar do desistir para inicio dar a um novo e esperançoso aguardo? Talvez quando o esperar passa da ansiedade do conseguir para a angustia do dissabor de não mais querer.

A espera é válida e saborosa quando a luz da conquista pelo que se espera é renovada, mas a medida que ela se apaga pesarosa e insuportável torna-se o aguardo que passa a ter dimensões de interminável.


Esperar não garante alcançar, mas ter certeza e confiança no que se espera revigora as forças para no aguardo permanecer.

Ansiedade

A ansiedade é a pressa que aperta o coração em busca da resposta que o tempo, ainda, não teve tempo para responder!