Bia Tannuri no Corujão da Poesia

Bia Tannuri no Corujão da Poesia
Bia Tannuri no Corujão da Poesia

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Minha sandália amarela

Ela sempre foi clássica, conservadora... eu diria que até mesmo rígida e inflexível, sobre tudo com ela mesma.

No guarda roupa a ordem era: preto e branco. “- Ah... é mais prático combina com tudo...” Ela dizia, embora adorasse vermelho.  No máximo se permitia a um bege, um marronzinho e de quebra um cinza, nada além disso. Com os sapatos a regra não admitia exceção, somente os fechados e pretos tinham licença para entrar na sapateira milimetricamente dividida e arrumada por ordem que seriam usados durante a semana.

Clássica, bem vestida sem dúvida, mas tão sem cor... Era quase tão sem emoção quanto seu guarda roupa, nenhuma novidade era consentida, nada que pudesse abalar o seu tão previsível viver.

Um belo dia lá ia ela toda elegante do alto de seus sapatos, pretos com certeza, e seu terninho muito bem passado e engomado, preto com leves ricas brancas, quando de repente algo em uma vitrine lhe chamou a atenção e ela deu dois passos para trás e parou em frente a loja por alguns segundos, mas balançou a cabeça e seguiu repetindo para si mesma: “- Não, não... aonde é que vou usar isso? Não combina com nada do que eu tenho. Não!” Mas não resistiu, deu meia volta e ficou parada em frente a vitrine da loja olhando fixamente seu objeto de desejo proibido: uma sandália amarela. Para ela aquilo era quase uma heresia, primeiro por ser uma sandália e depois e pior: era amarela, imperdoável. Mas, mesmo se sentindo como prestes a cometer um pecado mortal continuou olhando até que uma daquelas “agradáveis” vendedoras veio ao seu encontro: “- Posso ajudar senhora?” Sua primeira reação, após o inevitável susto que levou dado ao seu estado de total entrega aquele momento onde no mundo só existiam ela e a sandália amarela, foi dizer que só estava olhando e tratou de sair dali, mas não deu nem dois passos e retornou, entrou na loja quase que se escondendo para não ser vista por ninguém e pediu a vendedora para ver a sandália dizendo que iria dar de presente a uma amiga que usava o mesmo número que ela e por isso queria experimentar. Pois bem, ela comprou a sandália.

Chegou em casa abriu o guarda roupa e diante da visão alvinegro pensou:   “- E agora com que roupa eu vou usar isso?” Depois de ficar um longo tempo a contemplar sua  sandália amarela a colocou na sapateira junto com seus inúmeros sapatos pretos. A sandália parecia um sol no meio de seus companheiros que a receberam muito bem dando uma chegadinha para o lado para dar lugar a nova companheira.

No dia seguinte, acordou cedo, tomou um demorado banho, secou os cabelos, fez uma leve maquiagem e foi escolher o traje do dia. Fez tudo como fazia todas as manhãs.

Saiu radiante pelas ruas, achando que todos estavam olhando para ela e quando chegou ao seu destinou, antes de entrar no elevador, parou e se contemplou no espelho e gostou do que viu: Uma mulher feliz que usava um impecável terno negro e uma linda sandália amarela e pensou: “- Acho que vou comprar uma blusa vermelha.”

Colorir a vida não faz mal a ninguém. Que tal comprar a sua sandália amarela?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

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Todos os dias, insisto na árdua missão de me reconstruir e me deparo com a decepcionante conclusão de que ao final estou mais desconfigurada do que quando comecei.

Tento com cuidado, coloco cada peça no lugar, que penso ser o certo, bem devagar para não cair, não desmontar e quando tudo parece perfeito, alinhado, vem um vento não sei de onde e coloca abaixo minha linda e frágil pirâmide do ilusório universo da vida modular dita “perfeita”. E aí, diante de todas as partes derrubadas tenho que respirar e começar tudo de novo outra vez. E lá vou eu de peça em peça, pedaço por pedaço, procurando os encaixes que teimam em se modificar. Mas tento, por mais que ela, a vida, me diga que não cabe neste modelo, colocá-la em formas. Por quê? Eis a questão: Por que fazer a pergunta quando já se sabe a resposta? Talvez por medo de admitir que se gosta justamente da inexistência da exatidão e o que se quer são as incertezas...

 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ah o tempo...

E o tempo... Ah o tempo..,
Como passa e a vida segue e florescem as flores onde outrora eram apenas botões!


É  lindo ver o nascer do futuro no hoje que de vigor se encanta no prazer do descobrir a cada dia, a cada apagar da lua e acender do Sol...


  
 

 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Olha minha senhora, já lhe recebi lhe dei atenção e ate certo carinho, mas agora chega é hora de ir. Saía e feche a porta.

 

Não adianta insistir, se quiseres ficar aí ficaras sozinha, porque eu não vou lhe dar mais atenção.

É certo que fazes parte da minha vida e às vezes és até necessária, como todos teus outros amigos da classe dos sentimentos, mas tudo tem sua hora de começar e de findar, por isso não vou mais repetir, se queres ficar, fique que eu estou indo.

Adeus tristeza. Bem, adeus não, tudo bem, mas até a próxima e que não seja em breve.
 
 



Semente

Passei por ali e sem me importar muito, sem olhar, joguei uma semente de amor e segui meu caminho.

No dia seguinte tornei por ali passar e olhei minha semente de amor, reguei-a com um pouco mais de amor e atenção e segui em frente. E por vários dias fiz o mesmo sem pensar no que fazia, simplesmente fazendo.

O tempo passou e não notei que minha semente foi se transformando em uma pequena arvore que se inclinava para me ver todas as vezes que por ela passava.
Um dia ao ir visitar minha semente me assustei quando em seu lugar estava uma frondosa arvore com longos galhos repletos de flores que se balançavam e exalavam um forte e doce perfume a medida que eu me aproximava. Até aquele momento não tinha me dado conta que minha semente havia crescido e desenvolvido por mim tamanho amor e carinho.

Chego a conclusão que o amor se cultiva com amor e por ele somos responsáveis a medida que o cultivamos.

 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dor


Ah... como gostaria de correr entre as flores gritar e espalhar a tristeza que sinto.

Dói meu coração, mas me alimento da dor que as lembranças de uma memória deixada nos cantos do tempo me trazem,

Quero jogá-las fora no mesmo instante que quero voltar ao lugar onde não há dor e sim amor, mas não sei como lá retornar.

As memórias estão vivas, clamam por serem revividas e as feridas se fazem de mortas, mas ao leve toque se levantam e sangram cada vez com mais consciência da dor que parece nunca querer cessar.

Não quero mais responder as perguntas, buscar os motivos, identificar as culpas e esperar pela a absolvição travestida por ter a razão.

Não quero pagar a conta, por que não sei a quem devo, quero levantar e deixar a divida para quem se sinta por ela responsável, ou simplesmente deixá-la no “prego”, na lista dos títulos impagáveis por não se ter de quem cobrar.

Não posso apagar as paginas, mas sempre poderei outras escrever.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A vida só surpreende quem surpreende a vida


A vida começa, vive e acaba. Simples assim. Uma linha a ser seguida, onde o inicio e o fim são certos, mas o decorrer vai depender de quem a percorre que poderá fazê-la ser reta ou não.
Pode-se fazer o caminho de uma extremidade a outra cumprindo o destinado sem surpresas, sem sobressaltos, sem “riscos” e no final apagar as luzes, sair e dar a missão como realizada. Ou pode-se querer mais que o previsível e ousar abrir portas não autorizadas, se sujeitar ao erro e continuar querendo mesmo depois que a luz se apaga.
 
A previsibilidade leva ao rumo do infortúnio da mesmice sem susto de escapar da trilha, mas sem nada mais a esperar do que o traçado na concepção do inicio do começo do fim. Todos os “ses” serão fadados ao despenhadeiro e levarão junto às emoções não sentidas.
A vida é uma mola que devolve o que lhe é dado, um espelho que reflete o desejo de quem a olha que vai depender de como e quando se olha.
 
Mudar de rumo, torcer a reta e fazer a curva, pode levar a caminhos desconhecidos, porém surpreendentes que jamais seriam vividos e sentidos se a ousadia de fazer a curva fosse deixada de lado dando lugar ao conforto de pela estabilidade da reta seguir.