terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Relações humanas

Há muito tempo venho observando a deterioração das relações interpessoais, claro que isso não é uma regra e ainda bem que não é, mas a forma como o ser humano vem se tornando cada vez mais impassível ao que ocorre ao seu redor, me choca. 

Pessoas cada vez mais frias e indiferentes, vivendo em seus universos solitários com seus antolhos, uma verdadeira legião de seres que só olham para o próprio umbigo.

Por outro lado, contradizendo toda essa apatia humana, temos uma crescente população carente de atenção. Será que podemos atribuir o desinteresse pelo próximo àqueles que tentam guardar para si o que julgam não serem capazes de conseguir? Armazenando atenções e sentimentos em um reservatório para uso próprio? Será que as pessoas que mais demonstram insensibilidade são as mais necessitadas de cuidado, as que se sentem incapazes de obter um olhar para si? Será que o descaso para com o outro é um grito de socorro para ser incluído num mundo do qual não se sente parte? Mas também temos a questão de quem não sabe receber, talvez por isso sejam tão carentes, ficando cada vez mais vazios de sentimentos e impossibilitados de se doar. Talvez sim, talvez não...

Que mundo é esse onde quem tem o alimento não doa porque não sabe e quem tem fome morre porque não tem quem dê? O fato é que as relações humanas estão cada vez mais frágeis, o ser humano está cada vez com menos humanidade.

Que mundo é esse que estamos formando?

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Qual é a hora?

Essa pergunta serve para iniciar uma infinidade de conversas, mas quero falar agora de um dos questionamentos, tenho certeza, ocupa grande parte dos pensamentos da vida adulta de um indivíduo. Qual a hora certa de usufruir da poupança que se fez para o futuro? Quando começa o futuro?

É fácil, nem que seja só em termos de teoria, passar aos jovens os conceitos de previdência, de que é fundamental ou pelo menos aconselhável que se faça uma reserva para o futuro, até ai tarefa tranquila. Mas como saber a hora certa de realmente executar a segunda parte do manual de sobrevivência no futuro? A hora de desfrutar do que se construiu?

Será que é preciso ficar velho, sem condições de não mais gerar receita para enfim poder ter o direito de começar a fazer uso do dinheiro e mesmo assim com receio, sempre com medo, achando que ainda não é a hora, que tem que seguir juntando para uma eventualidade? Achando que viveremos eternamente esperando por um amanhã que não chega nunca, até o dia que a funerária bate a porta e o inventário vai cuidar da tão preciosa poupança.

Difícil saber a hora certa, impossível determinar o momento exato. Que diabo de futuro é esse que não chega? Que bendita hora certa é essa que nunca é a adequada? Um viver no futuro inatingível da perfeição, um dia que jamais vai amanhecer. Uma angústia de querer acertar o centro do alvo mesmo sabendo ser impossível.

O receio pode ser tão grande, que nem paramos para colocar as contas na ponta do lápis e ver quanto representa o que na realidade temos em nosso “tesouro do futuro”. Mas medo de que? De ver que o futuro chegou? Medo de viver do outro lado do Arco Iris? Medo de construir novos futuros?

Nunca vai estar perfeito, sempre vai faltar alguma coisa.
Temos excelentes ensinamentos de previdência para o futuro, agora estamos precisando de quem nos ensine quando é que esse tal de futuro chega. Alguém que puxe o sinal para descermos na estação do presente, desembrulha-lo e finalmente começar a usa-lo.


Não é preciso morrer hoje para viver amanhã.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

No piscar dos olhos do pensamento...

Era uma manhã ensolarada, tipo daqueles dias que dizem serem perfeitos para tudo. Mas eu não estava nem um pouco preocupada com isso, minha única e absoluta prioridade era completar minha corrida diária e tão somente me sentia parte daquele cenário, com o mar de um lado, o asfalto de outro e eu no meio, sem a menor emoção, só suor e angustia pelo termino do percurso, desprezando totalmente qualquer coisa que ficasse entre o início e fim de minha penosa atividade.


De repente me dou conta que passou um tempo que não percebi, como se tivesse dormido de olhos abertos por alguns segundos e entrado na dobra do pensamento, naquele lugar especial que se consegue alcançar as emoções sem que para tanto seja necessário satisfazer qualquer exigências. No breve período que me libertei, me distanciei de minha árdua ocupação e olhei em volta e vi o mar, os raios reluzentes de sol, as pessoas, enfim, vi a vida e nem senti o desgaste físico que a corrida me causava. Facilmente esqueci o que fazia e me prendia onde estava. Tudo aconteceu rapidamente, no espaço de um piscar de olhos, no piscar de olhos do pensamento e quando suas frágeis pestanas voltaram a se abrir deu de cara com a soberana razão que o trouxe de volta para a aflição do resultado e só me restou o sofrimento dos minutos que ainda faltavam para concluir minha dura empreitada.

Enfim, como não me restava alternativa, prossegui minha corrida diária em busca da boa forma e saúde prometida, mas a experiência de madorna sentida momentos antes, embora tenha durado quase nada, me fez pensar: E se fosse possível sair do estado frenético e de obrigação por coerência que vivemos? Acionar uma espécie de hibernação do pensamento? Deixar a vida fluir naturalmente sem a necessidade de decisões definitivas? Se conseguíssemos, simplesmente, embora não seja nada simples, deixar o caminho seguir seu curso sem que ficássemos tentando responder as perguntas antes que elas fossem feitas, de tentar solucionar os problemas antes que eles se apresentem, de querer viver a vida antes que ela nasça, talvez tivéssemos mais tempo de vivê-la. 

Quando finalmente completei minha corrida no meio dessa ebulição reflexiva estava decidida em ir à procura pelo lugar em que o pensamento pisca, se desliga e atinge a plenitude dos fatos e no meio do caminho... lembrei que tinha uma bendita tarefa a ser realizada e rapidamente arregalei os olhos do pensamento e como que sugada por uma força incontrolável voltei para meu frenesi da busca pelas respostas urgentes e imediatas, vivendo a vida sem em olhar em volta.








sexta-feira, 3 de junho de 2016

Um dia pensei que fosse Deus

Atender e satisfazer a todos que o reivindicam e até aqueles que não o fazem, mas estão no raio de quem se sente na missão de, pode ser uma prerrogativa de uma vida política, socialmente correta e satisfatória? Pode até ser, mas com certeza extremamente desgastante para o ingênuo desafortunado que cai nas garras de tão ilusória tarefa. E se um dia resolver parar com a impraticável obrigação, por total impossibilidade de desempenha-la, e passar a olhar primeiro para si próprio e ver qual o seu lugar no mundo, terá que enfrentar a ira dos que antes protegia que se sentirão deixados de lado e o acharão a pior pessoa do mundo pelo simples fato de não estarem acostumados a vê-lo a olhar para si antes de qualquer pessoa.

É como trocar a própria pele, dói, machuca, sangra a alma e por muitas vezes se é jogado no negro e frio vácuo do conflito de ter que saber se realmente se quer deixar de ser o solucionador de necessidades alheias para simplesmente ser mais um dentre todos os outros seres sem o rotulo de “Deus” da insana tarefa de ter que satisfazer a todos a tempo e a hora.

Pode-se migrar nos dois lados com certezas obsolutas de escolhas que mudam em fração de segundos. Mas por que ter que optar? Por que ter que adotar posturas tão excludentes uma da outra? A vida nos leva para caminhos tão distintos e tão próximos ao mesmo tempo, de limites tão tênues que podem se misturar com um leve sopro de pensamento. Por que ter que ser um só, quando dentro de nós habita um mundo de emoções distintas fazendo-nos parecer vários travestidos de único?

Talvez a difícil escolha esteja em saber se quer sair do lugar aonde as criticas não chegam e se é visto como “Deus” por agradar e atender a todos embora falte agrado para si próprio e vir viver no meio dos “mortais” e enfrentar a possibilidade de estar suscetível a elogios, mas também a censuras, entender que não irá satisfazer a todos, saber aceitar as opiniões adversas simplesmente como diferentes e não como represália por não mais estar na função de “solucionador” de necessidades, pedir quando precisar e atender quando puder E quiser. Enfim, saber se quer viver na vida ou olha-la de dentro da bolha de ilusória proteção que o irreal poder de falso “Deus” proporciona.

sábado, 2 de abril de 2016

O Amor é importante, mas a admiração é fundamental

Quando se fala de relacionamentos amorosos, à primeira coisa que se pensa é no amor. Perfeito, amor é importante, mas admiração é fundamental. Ela é o alicerce, é a fundação do convívio, sem ela tudo se desfaz, perde o encanto, não há como amar a quem não se admira.

É a admiração que dá tempero e coloração ao amor, apara arestas, minimiza diferenças e ressalta as qualidades. Sem ela o sentimento desbota, as relações enfraquecem e perdem a tolerância, a boa vontade de ouvir e compreender, tudo fica na ponta da faca, no limite da paciência que já não é mais condescendente e defeitos se agigantam perante as virtudes que se tornam mínimas.

Difícil entender quando, mesmo com a presença do amor, já não há mais o prazer do estar junto. Tende-se a achar que as diferenças aumentaram tanto que o amor não suporta e fica-se a procura de razões para justificar os abalos, apesar do sentimento dito como central, ainda estar ali, mas não mais ser suficiente para manter a relação. E não se dão conta que é por ela, pela admiração, que estão procurando e não mais encontram, ela saiu e nem um bilhete deixou, como alguém que foi posta de lado e simplesmente se cansou e partiu sem deixar rastro.

A admiração é um sentimento marcante, forte, mas como uma flor delicada requer ser cultivada, pois do contrario murcha e deixa a saudade de seu perfume que nunca mais será sentido e em seu lugar ficará um galho seco onde outrora floresceu.

terça-feira, 29 de março de 2016

Respostas...

Meu lado racional e do equilíbrio diria: quando se pensa que tudo está acabado, que nada mais há por fazer e vem aquela agonia que aperta o peito e sufoca o coração, o melhor é parar, fechar as gavetas do pensamento e ir dar uma caminhada pela trilha do divagar e esperar, dar tempo para que o tempo responda e resolva o que não somos capazes.

Mas o inquieto e sempre em ebulição responderia ao da razão: A insana tentativa de tudo querer solucionar sem esperar pelo prazo necessário, que cada ação requer e que é único para cada uma delas, cria aflições não queridas, porém amadas e necessárias. Pois contraditoriamente aos anseios do bem estar é impossível não vivê-las, dado que a vida clama pela impaciência que a ansiedade lhe fornece como que um combustível para mantê-la, além de viva, eletrizada perante o simples fato de viver um dia após o outro, o que é totalmente imprevisível e é justamente aí que mora o incomparável e prazeroso mistério do viver e sobreviver as fases e faces de cada dia que se apresenta.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Os invisíveis que só aparecem quando desaparecem

Podem passar encoquines por uma vida inteira como sombras a vagar feito fantasmas que estão por perto, mas não são vistos. Verdadeiros espectros servos sem rosto, preparados a satisfazer as vontades, com devoção sem questionar e até com certo prazer, de quem não os nota e só têm exigências a fazer sem cerimônia, sem apego, sem sentimento, o único interesse está em ser atendido.

Até que chega o dia que os desejos não são saciados pelo simples fato da ausência de quem estava sempre a postos para satisfazê-los, ai nesse exato momento um milagre ocorre: O fantasma se materializa, ganha corpo, toma forma e passa a ser notado através da ausência. Foi preciso desaparecer para ser visto, para receber o valor que sempre teve, porém antes sonegado e passa a ser a pessoa mais importante, que nunca poderia faltar, a que sabe o que e como fazer para todos os anseios atender. E agora?

A falta por vezes se faz necessária para a compreensão de quanta falta faz e nenhum valor recebia quando sempre esteve presente e simplesmente não era vista por atender a tudo e a todos sem que os mesmos não tivessem, sequer, que pedir para terem suas vontades atendidas.