quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Presa nas asas prontas para voar


Pronta para levantar voo e alcançar o infinito das possibilidades, desbravar o desconhecido do almejado e ao mesmo tempo presa, petrificada sem um passo conseguir dar como um carro na linha de largada que acelera ao máximo, mas não arranca.

Momento de pura sabedoria do que se quer, mas de total falta de capacidade de iniciar o caminho.

Bate as assas, voa distancias incomensuráveis, alcança, supera, mas não sai do lugar, a imaginação transgride não se abate, mas os dedos não alcançam o que ela está a gritar e a lhe dizer, por isso não conseguem dedilhar a energia que por eles correm, mas não transbordam.

Fases de pura separação entre corpo e mente, embora um dite para o outro o que pretende e o um entenda perfeitamente o que o outro quer, mas não consegue retratar.

Fazer o que com isso? Com a certeza do alvo a atingir e a absoluta ausência de capacidade de materializar o anseio? Passar por cima? Esquecer? Engolir o tormento que espreme a garganta e arde o peito? Ai! Grita ela no meio da aflição do querer e a incapacidade de concretizar.

Difícil momento, que se torna mais complexo pela incapacidade de enxergar que toda essa ebulição pode ser o antecessor de um grande e satisfatório feito que está por ser descoberto.



Mas quem vai contar a ela?