A velha casa com flores e árvore no jardim, com balanço no quintal, o muro de cimento salpicado que me arranhava as pequenas pernas quando na ponta dos pés lutava para me equilibrar a fim de apreciar os passantes na rua de paralelepípedos, as saúvas assassinas, capazes de devorar pés e tornozelos inteiros sem a menor piedade, que moravam em sua gigantesca toca encostada em um canto do muro, a vila do outro lado da rua dos grandes leões de pedra que margeavam a entrada, o bêbado do bar da esquina e mais uma infinidade de lembranças estavam bem ali vivas em minha memória como se congeladas no tempo o qual elas pertenceram. Tudo era real, até os cheiros estavam lá com as mesmas fragrâncias.
Aí eu lembrei que cresci e fui olhar com os olhos de adulto e vi que a velha casa já não era mais a mesma. Cimentaram o jardim, o quintal que na minha memória era enorme, já cabe em apenas um lado do meu olhar, o muro virou grade, o bêbedo sumiu junto com o boteco e em seu lugar um grande prédio se ergueu. As formigas... para onde será que foram as minhas formigas? E os leões, meus vizinhos pomposos, os guardiões da vila, sumiram também. Tudo estava fisicamente diferente, mas minhas memórias ainda estavam do mesmo jeito, gravadas naquele lugar e em mim, com a mesma emoção e intensidade dos curtos e eternos oito felizes anos que ali vivi.
Textos sobre os sentimentos, atitudes da vida e emoções do cotidiano. Visite meu site,conheça mais sobre meu trabalho e veja onde adquirir meus livros
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
sábado, 11 de agosto de 2018
Meu Refúgio
Há ocasiões de uma necessidade iminente de estar só, de ficar com a solidão da companhia do eu e do calado da alma. Um refúgio onde silenciam as vozes da razão para escutar o próprio silêncio e entender o que ele tem a dizer. Momentos para perguntar sem se importar em responder, para sentir sem ter que agir, para olhar com avesso dos olhos, para viver sem respirar, para simplesmente existir e ser. Um espaço único, intransferível e inabitável para qualquer outro ser que não seja o próprio. O vazio onde se pode viver o tudo.
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Bia Tannuri
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sábado, agosto 11, 2018
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Fotografo de almas
Ele chegou sorrateiro, de olhar manso, porém profundo...
Como quem nada quer do meu coração tomou conta, mergulhou em meu mar de sentimentos, afogou-me em seu olhar que adentrou minha alma, fotografou meus mais profundos desejos e a todos realizou, prendeu-me de vez em sua teia de amor, da qual nada fiz para libertar-me...
terça-feira, 17 de julho de 2018
Sob o meu olhar
Ando pelas ruas esburacadas, nas de tapete vermelho, com ou sem glamour, onde se toma cafezinho no copo e nas que se sorvem as borbulhas do champanhe e em todas o que observo me amedronta o espírito e me faz crer que estamos à beira do caos. A falta de humanidade, de educação, a escassez do sentimento de compaixão para com o outro, a ausência do olhar que olha e vê, são fatos e atitudes cada vez mais presentes nos indivíduos que se locomovem pela vida, totalmente alheios ao mundo que os envolve. Mas qual será a causa de tamanha decadência da essência do ser humano, o que está faltando ou sobrando na formação da personalidade das pessoas? O que será que faz com que o movimento seja cada vez mais para dentro, individualista e até mesmo cruel entre seres da mesma espécie? Pessoas parecem flutuar, como se de olhos vendados estivessem, passando a margem dos iguais sem sequer notar ou se importar com o que quer que seja. Uma legião de solitários perdidos na multidão. Seja qual for o cenário, os personagens estão lá e em número crescente, vestidos de farrapos ou de brilhantes. Triste destino dos seres absorvidos por seu interior que os extirpa o olhar que vê e sente.
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Bia Tannuri
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terça-feira, julho 17, 2018
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domingo, 15 de julho de 2018
Egoísmo?
Por que as pessoas que põem suas necessidades e vontades em primeiro lugar antes de atender a quem quer que seja são, na maioria das vezes, consideradas como egoístas com a visão nociva que essa conduta carrega de pertencer aos maus e cruéis comportamentos do ser humano? Será que tal visão não está ligada ao fato de não se parar para analisar a sutil e profunda diferença que há entre: só pensar em si e pensar em si em primeiro lugar? Uma pessoa que não exerça esse egoísmo dito como cruel e que se preocupe, sempre, com os que estão em volta antes si própria, talvez possa ser vista aos olhos do mundo como dedicada, boa, altruísta, merecedora de elogios, mas desde que nunca mude de postura, caso contrário se juntará aos malfeitores que pensam em si em primeiro lugar. Seguindo no julgamento, o júri da vida vai analisando mais algumas questões, quem puder responda ou somente observe e pense. Como cuidar do lado antes de fortalecer o centro? Como doar forças antes de adquiri-las? Não há como estender a mão sem que a mesma esteja em condições de puxar a quem dela precisa. Não há como satisfazer as faltas do outro antes das próprias, se não tiveres para si, não terás para dar, morrerão juntos com a fome da necessidade iminente de ajuda.
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Bia Tannuri
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domingo, julho 15, 2018
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terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Loucura
Pode ser um devaneio, e certamente é, minha opinião a respeito de um tema tão complexo e vasto, sobre o qual não possuo conhecimento algum, mas creio que esses seres, definidos como alienados, dementes, loucos, estão à cata de suas razões para existir. Gostaria de saber o que pensam, o que sentem, que cores veem, quais são suas crenças, em que mundo habitam. Quando os observo em estado que aparentam total desligamento me pergunto se não escolheram pegar um atalho da mente e passar para um universo paralelo por insuficiência emocional de viver no mundo dito como normal e feito para todos ou por não quererem estar em um lugar que não lhes oferece nada que os agrade ou por alguma dor insuportável de ser sentida no plano efetivo. Enfim são vários meus questionamentos, mas todos, embora nenhum me aponte uma resposta concreta, me levam a acreditar, independente da enfermidade que essas pessoas possam ter, que existe sim uma realidade alternativa que oferece a essas mentes o abrigo e conforto que a sociedade palpável não é capaz. Por isso entram em seus “buracos de minhoca” a procura de um espaço que coexiste com o mundo real, porém em separado e desconhecido dos “normais” e lá permanecem com o desejo de encontrar a paz necessária para viver, ou viajam através do tempo estacionando no momento de suas vidas em que eram realmente felizes e por lá ficam existindo como “loucos” sem revelar seu segredo a ninguém o que impede de serem resgatados e trazidos de volta a vida de “verdade”.
sábado, 13 de janeiro de 2018
Não
Palavra pequena, difícil
de ser dita e de ser executada como simplesmente uma expressão do que não se
quer fazer. Na maioria das vezes está atrelada a uma postura negativa causando
contrariedade ao receptor e mais ainda se o emissor não tem o costume de
oferecê-la em demonstração de seu real anseio e quando o faz causa um espanto
como se estivesse ferindo a quem a resposta é dada que acha estar sendo desprezado
por não ter suas aspirações atendidas e não percebe ser somente a declaração da
vontade de quem a está oferecendo e nada tem a ver com rejeição. O “não” está,
erroneamente, associado ao desprazer de satisfazer o desejo alheio, quando deveria
ser apenas a resposta a um questionamento proposto.
Dizer “não” é difícil, porém
libertador, mesmo que para isso tenha-se que passar do posto de “bonzinho”, a
quem a todos atende e agrada muitas vezes em detrimento de suas próprias aspirações, para o de “malfeitor” que apenas quer satisfazer a si próprio.
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