A noite chegou de mansinho,
Sem
fazer alarde,
Gosto
da escuridão
Ameniza
meu pranto da solidão,
O
dia me atormenta com sua ansiedade de acontecer, prefiro a calma noturna que
mergulha na escassez da luz
Enquanto
meu corpo dormia, meu ser mergulhou no abraço dos ávidos desejos
Levantei, olhei-me no leito do descanso,
alheia aos acontecimentos da alma que ora despertava.
Saí
A
noite me sorriu,
A
cada passo as pedras da rua se abriam para me dar passagem.
Havia
alguém a me observar do outro lado da esquina,
-apontou-me
um caminho-
não
olhei, mas segui o caminho apontado,
não
sabia qual era nem aonde me levaria- mas segui- não importava
Livre,
mas presa no medo de querer seguir,
Livre,
mas presa no temor da pergunta calada, abafada no fundo da boca do corpo
deixado no leito
O
amanhecer pairava na curva de minha dúvida - corri sem olhar para trás e
mergulhei nos últimos raios noturnos que ainda restavam...