terça-feira, 22 de outubro de 2024

Outono

A noite chegou de mansinho,

Sem fazer alarde,

Gosto da escuridão

Ameniza meu pranto da solidão,

O dia me atormenta com sua ansiedade de acontecer, prefiro a calma noturna que mergulha na escassez da luz

Enquanto meu corpo dormia, meu ser mergulhou no abraço dos ávidos desejos

Levantei, olhei-me no leito do descanso, alheia aos acontecimentos da alma que ora despertava.

Saí

A noite me sorriu,

A cada passo as pedras da rua se abriam para me dar passagem.

Havia alguém a me observar do outro lado da esquina,

-apontou-me um caminho-

não olhei, mas segui o caminho apontado,

não sabia qual era nem aonde me levaria- mas segui- não importava

Livre, mas presa no medo de querer seguir,

Livre, mas presa no temor da pergunta calada, abafada no fundo da boca do corpo deixado no leito

O amanhecer pairava na curva de minha dúvida - corri sem olhar para trás e mergulhei nos últimos raios noturnos que ainda restavam...

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Meus silêncios

 Meus silêncios gritam pelas certezas que não possuo,  não vejo, 


-não quero ver-

- não quero ter- 


certezas para que? Certezas se aprisionam em definições.

 Quero a dúvida, me perder, andar sem chegar, voar sem aterrizar. 

Quero cair , arranhar, sangrar, sentir a dor da imperfeição, escrever e apagar quantas vezes se fizer presente a dúvida que me move a seguir na busca do que não tenho ideia do que seja, mas alimenta meu ser ávido de viver.


Desconstruí uma forma pré-moldada do meu eu, tão engessada, mas tão “perfeita” que nem sentia a paralisia causada. Padrões pre definidos , amarras sem nó, prisões sem grades…

entorpecimento de uma mente  livre que acreditava ser presa, mas presa por quem? 

Onde será que estavam as chaves da prisão sem grades?