domingo, 25 de janeiro de 2026

Eus

 E eu, que achava que o mundo se definia em quatro linhas: uma para cima, outra para baixo e outras duas para os lados, simples assim.


Hoje estou parada no meio da encruzilhada, sem saber qual direção dos meus “eus” devo seguir, ou talvez se deva abandoná-los todos e procurar por outro. Pois, a cada dúvida que me aperta o peito, sinto um novo “eu” brotar, puxando-me para uma direção diferente.


E pergunto-me: qual delas é realmente a minha? Qual desses “eus” sou eu?


E, como se escutassem meus pensamentos tortuosos, todos gritam: “é eu aqui!!”


Viro-me de costas e, com a cabeça entre as mãos, fecho os olhos na esperança de que, ao torná-los a abrir, consiga retomar a lucidez e reencontrar meu centro — meu “eu” único e absoluto, que julgo ser.


Então acordo, com várias máscaras caídas ao pé da cama, e vasculho qual delas irei usar hoje.