quinta-feira, 7 de novembro de 2013

De onde será que sou?

Corria eu pela praia em uma manhã de primavera ainda com os ares frígidos da madrugada recente. O vento úmido cortava-me o rosto à medida que por dentro dele atravessava em minha árdua tarefa. Após uma meia hora o Sol, finalmente, começou a distribuir seus calorosos raios dissolvendo os efeitos desconfortáveis do gélido amanhecer. Como que desprendida de meu corpo, que corria insanamente pela pista, me pus a apreciar o mar que reluzia enigmático contrastando com as espigas de concreto estendidas do outro lado da rua e em um lampejo dei de cara com o movimento do dia já a todo vapor e vi a grande questão se formar diante de mim: de que mundo eu faço parte? Ou a qual deles quero pertencer? De um lado toda natureza solitária e imponente e de outro os desejos de conquistas e competições que aliciam e encantam. Mundos se misturam a todo instante, universos diversos, de realidades cristalinamente distintas, se confundem e cobram posições de posturas, de escolhas, como se obrigatório fosse optar apenas por uma.

Continuei a corre observando os dois cenários a minha volta, respirei fundo e pensei: que me desculpe meu ilustre e talentoso músico poeta Zeca Baleiro, mas não tenho a minha tribo, quero todas, pertenço a todas sou do mundo ou dos mundos que se unem na essência e se diferenciam na forma.

O Sol despontava no imenso céu azul que cobria e inebriava de energia os iguais, porém distintos que começavam mais um dia de suas complexas e simples existências.

 Sou de mundo e ele é de mim...

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