segunda-feira, 27 de abril de 2026

 Gosto do silêncio que envolve o que não há como ser dito, mas ainda assim insiste em estar presente.

E nos intervalos, no que parece não existir, nos quase, alguma coisa pulsa.

Os vazios se preenchem, aos poucos, como quem vai tateando o escuro.

E, de repente, o que era ausência se organiza, ganha corpo, se espalha, e chama e agrega.

As palavras guardadas, escondidas, sufocadas, aproximam-se daquelas que passam distraídas, sem querer se deixar notar.

E é nesse encontro, quase imperceptível, que algo começa.

Porque nem tudo precisa ser dito para existir, mas tudo que existe, de algum modo, pede voz.

E é entre esse silêncio e essa voz, que a gente começa.

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